'Deslumbrante, cremoso e amanteigado': especialista explica por que queijo brasileiro entrou na lista de melhores do mundo
Queijo brasileiro entra na lista dos melhores do mundo
O Fantástico repercutiu o queijo brasileiro que entrou para a lista dos 65 melhores do mundo, segundo a revista norte‑americana Culture. A produção é feita em Pomerode, no Vale do Itajaí (SC).
O reconhecimento não veio por acaso. Segundo especialistas consultados pela revista, o queijo catarinense combina qualidades sensoriais raras.
“É um queijo deslumbrante, cremoso e amanteigado”, descreveu um dos avaliadores internacionais, destacando que o produto se tornou um dos grandes representantes latino‑americanos da lista.
Da cerveja ao queijo premiado
O queijo catarinense, criado pelos irmãos Bruno e Juliano Mendes, conquistou espaço entre os grandes rótulos internacionais ao combinar técnica francesa, identidade brasileira e uma maturação precisa — resultado de mais de uma década de experimentação.
A virada de chave aconteceu quando, ainda cervejeiros, os irmãos se interessaram pela harmonização de bebidas e alimentos.
“A gente acabou descobrindo que cervejas e queijos harmonizavam muito bem”, contam.
Assim nasceu a curiosidade que os levaria, anos depois, a dominar técnicas tradicionais de maturação. O começo foi estudando queijos franceses, especialmente os tipos brie e camembert. Depois de dominar o método, veio o desafio: adaptar a técnica clássica para criar um produto autoral brasileiro. O processo exigiu tempo, tentativas e erros, e muitas receitas refeitas até chegar ao ponto ideal.
A mágica da maturação — e da madeira
Na fábrica, o processo começa pela fermentação do leite e pela formação da massa que dará origem ao queijo. Só então ele segue para a etapa mais delicada: a maturação, onde textura, aroma e sabor se desenvolvem.
Uma das características que mais chama atenção é a cinta de carvalho que envolve o queijo. Feita de madeira, ela impede que o produto — extremamente cremoso — se desmanche antes do consumo e ainda adiciona notas sensoriais únicas.
Mas, para os Mendes, o verdadeiro segredo não é visível.
“O fungo é fundamental. Quem deixa ele saboroso não é o queijeiro, são esses microrganismos”, explicam. A seleção e o manejo dessas colônias são a chave para criar identidade própria ao queijo.
Da música para a cozinha — e da cozinha para o mundo
Além das panelas e das câmaras de maturação, os irmãos também dividem outro palco: o da música. Bruno é baixista; Juliano, baterista.
“A gente forma a cozinha da banda”, brincam.
Eles explicam que o paralelo entre os dois mundos é maior do que parece: na França, existe o profissional chamado affineur — o “afinador” dos queijos. Assim como se afina um instrumento, é preciso sensibilidade para perceber o ponto ideal do queijo durante a maturação.
E foi essa sensibilidade que rendeu ao produto diversas medalhas internacionais, incluindo ouro em concurso mundial em 2024 — um dos motivos que levaram a Culture a incluí‑lo entre os melhores do planeta.
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